"Baby sempre foi 'do Brasil', mesmo quando assinava 'Consuelo'". Em 40 anos de vida artística, entre os Novos Baianos, a parceria com o marido e guitarrista Pepeu Gomes e seu vôo solo, é assim que a cantora Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade, eterna Baby Consuelo, encara as mutações experimentadas por seu nome de batismo. Hoje evangélica (careta jamais), Baby começou soltando a voz na intimidade de seu quarto em Niterói, Rio de Janeiro. A "falsa baiana" arriscava-se em músicas das musas Julie Andrews, Ella Fitzgerald, Ademilde Fonseca e, também, do futuro guru João Gilberto. Baby encontrava-se hospedada em um hotel na capital paulista e, antes de iniciar a conversa, pediu um momento para desligar o celular - que não parava de tocar: "São muitos filhos. Se não desligar, eles não param de me ligar", a mãezona se desculpa. Ela começa contando que, aos 17 anos, fugiu para Salvador. Era 1969 e Baby perseguia o sonho de se tornar estrela. Na Bahia, a mocinha do "nariz arrebitado" conheceu os músicos Moraes Moreira e Paulinho Boca de Cantor, o poeta Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Foi amor à primeira vista: "Pepeu era um guitarrista lindo de 17 anos, uma criança". Após o show, ela foi à festa oferecida por Gil e, na saída, "puxou um beijo" da boca de Pepeu. Em 1985, Baby e Pepeu foram uma das atrações da primeira edição do Rock in Rio. Na época, ela estava grávida e a reprimida sociedade brasileira ficou chocada ao lhe ver cantando com a barriga de fora na TV. Era a fase "Rá!". Nesse dia, Baby se apresentou inteiramente coberta de metais entortados pelo paranormal Thomaz Green Morton.